
O bom de assistir uma série com a assinatura de um showrunner como J.J.Abrams é que você tem certeza que, independentemente do que aconteça com ela em seus próximos episódios, os minutos gastos assistindo ao Piloto não foram desperdiçados. E com Undercovers não é diferente… JJ mostra o seu conhecimento sobre a TV e o público e nos apresenta um ótimo episódio piloto… Mas a dúvida que fica é: Há em Undercovers elementos suficientes para continuar vendo a série?
Spoilers Abaixo:
Gostaria de responder a essa pergunta com um “Sim”, mas sei que provavelmente minha resposta será “Não”. Ainda assim vou seguir minha regra dos 3 episódios (não abandono nenhuma série nova sem ver ao menos 3 episódios), mas tenho sérias dúvidas se chegarei ao 1×04 de Undercovers.
Vale ressaltar, logo de início, que nunca assisti Alias, mas já ouvi milhões de elogios sobre a capacidade criativa de Abrams em séries de espionagem. E pude ver essa capacidade criativa em ação nessa episódio. Foi um ótimo episódio para uma série do gênero… Tivemos ação, luta, perseguição, explosão, humor, etc. Tudo milimetricamente dosado… E, o principal, o ritmo do episódio não nos deixou piscar.
A história da série não é nada inovadora e lembra um tanto Sr. E Sra. Smith. A diferença é que, enquanto no filme cada cônjuge descobre que seu parceiro é um assassino de aluguel, aqui na série eles já sabem da vida pregressa um do outro. Os Bloom eram Agentes ativos na CiA quando se conheceram, se apaixonaram e decidiram se casar. Como nunca haviam sido parceiros e respeitavam as regras da Agência, acharam melhor se aposentarem para dedicarem-se um ao outro.
Quando conhecemos Samantha e Steven as coisas mudaram um tanto. O restaurante dos dois não anda mais dando lucro e o casamento deles também mostra sinais de que está prestes a falir. Mas, ironicamente, é o retorno à CIA (que abandonaram unicamente para evitar a destruição do casamento) que dá um novo gás para o casal. O trabalho freelancer dos dois é apurar o sumiço de ex-parceiro de Sam, Leo – que também era amigo de Steven.
Aí nos deparamos com o bê-a-bá básico de qualquer série de espionagem: perseguições, viagens para vários países, fugas de helicóptero, invasões à bancos e festas, reviravoltas, lutas, explosões, etc, etc, etc. Nada do que vimos foi muito inovador, mas para quem gosta de séries do gênero está bem acostumado a ver isso se repetir milhões de vezes. O importante aqui é como se conta essa história e não os elementos dela, e em Undercovers esse “como” convence muito.
Então, caro leitor, você me pergunta: Porque, seu louco, você não vai continuar vendo a série se achou ela tão boa? Simples. Como disse no começo do texto, nunca tive dúvidas de que Undercovers seria uma ótima produção, afinal, traz o nome de JJ Abrams e toda a experiência do multifacetado produtor…
Mas aqui temos que olhar aquela diferença entre uma série bem produzida e uma boa série. A série bem produzida tem o casamento harmônico entre seus elementos (direção, roteiro, trilha sonora, fotografia, etc) e se transforma em algo bonito de se ver, mas nunca vai sair do lugar… Te apresentará bons episódios, bem produzidos, mas não vai acrescentar em nada na sua vida. Já uma boa série é aquela que vai te deixar doente pela espera do próximo episódio, vai te deixar com a pulga atrás da orelha com a mais simples das situações e vai mudar sua vida, de certa forma… E é com grande tristeza que digo que Undercovers é APENAS uma série bem produzida… Para quem tem tempo e quer se divertir é uma boa pedida… Para mim, infelizmente não é. Meu tempo é curto e Chuck já preenche a quota de espionagem dele (e preenche muito bem, por sinal).
Além do mais, tenho mais uma crítica a fazer à Undercovers: o que eu previa nos promos se concretizou. O casal Bloom não tem química nenhuma. Individualmente os personagens são ótimos e se saem muito bem, mas como casal a coisa já não presta. Mas, por outro lado, é bom ver que a falta de química do casal é o único problema do elenco. Os outros estão muito bem. Desde o Leo (que praticamente só apanhou), o Shaw (o contato sarcástico e frio dos Bloom na CIA) e, é claro, o Hoyt (o alívio cômico da série), que me divertiu muito nesse episódio, e serviu até pra disfarçar a falta de química dos protagonistas quando dividia cena com eles.
Portanto, o balanço desse piloto de Undercovers é Super positivo, mas não o suficiente pra colocar a série definitivamente nessa lista, MAS, nunca se sabe… J.J. Abrams tem mais 2 episódios para me convencer do contrário.